quarta-feira, 2 de março de 2011



Ainda que nesta minha pouca experiência de vida, não tive a felicidade - sim, digo felicidade, pois tudo o que possa contribuir para meu desenvolvimento pessoal incluindo, fundamentalmente, o psicológico, deixa-me num estado de profundo contentamento - de conseguir compreender a estranha mania que as pessoas insistem em ter, ainda que saibam da feiura do ato, em enaltecer feitos que, para meu simples ser, não passam de facilidades (habilidades) tão simples como saber fazer um café e que, portanto, deveriam desprover de tanta e desnecessária bajulação. *Digo ser uma estranha mania, pois não pretendo e um tanto menos gostaria de fazer uso do substantivo 'egoísmo' neste início de conversa-desabafo-pensamento alto.
Por que é que teimam em enxergar 'fontes maiores' quando a 'coisa' nem tamanho direito de coisa possui e, não satisfeitos em bajular individualmente, precisam tornar público os 'grandes feitos' e forçar de maneira visível e extremamente irritante os outros a compactuarem com a ideia de 'descobrimos o Brasil novamente', coletivizando a bajulação para, quando saciados, darem fim ao ridículo espetáculo?!

'Acendam as luzes;
Liguem os microfones;
Levantem os cartazes...
Ah! E não esqueçam da melância no pescoço.'
Natália Pirola


“(…) Era melhor perdoar-lhe as fraquezas do que ser exilada dos seus prazeres. Entretanto, essa perspectiva também me asssutava. Eu aspirava à transparente fusão de nossas almas; se ele tivesse cometido pecados tenebrosos, ecarpar-me-ia, no passado e mesmo no futuro, porque nossa história, falseada desde o ínicio, não coincidiria nunca mais com a que eu inventara de nós. ” Não quero que a vida se ponha a ter outras vontades que não as minhas”, escrevi no meu diário. Eis, creio, qual era o sentido profundo da angústia. Ignorava quase tudo da realidade; no meu meio, ela surgia mascarada pelas convenções e pelos ritos; tais rotinas me aborreciam, mas eu não tentara ir as raízes da vida; ao contrário, evadia-me para as nuvens: era uma alma, um puro espírito, só me interessava em almas e espíritos; a intrusão da sexualidade fazia estourar esse angelicalismo: revelava-me bruscamente, em sua temível unidade, a necessidade e a violência. (…)”


Simone de Beauvoir.








' Não quero que a vida se ponha a ter outras vontades que não as minhas. '
Definitivamente, não quero!


Eu conto. Não canto.
Conto nos cantos
As cores, sabores e flores...
Eu conto nos cantos
Meus contos de dores.

Natália Pirola


"Amanheci em cólera. Não, não, o mundo não me agrada. A maioria das pessoas estão mortas e não sabem, ou estão vivas com charlatanismo. E o amor, em vez de dar, exige. E quem gosta de nós quer que sejamos alguma coisa de que eles precisam. Mentir dá remorso. E não mentir é um dom que o mundo não merece..."  (Clarice Lispector)


PRA VOCÊ

Não quero os sonhos de um amor perfeito
Quero todos os defeitos
Pra me encantar a cada dia
Quero teus olhos e teu olhar profundos
Teu sorriso que me guia
Ser a tua poesia, a metade do teu mundo.

Não quero os sonhos de um amor sonhado
Quero vivê-lo acordado
Quero tua pele sentir
Acordar e tê-lo ao meu lado
Ser teu riso e ser teu canto
Fazer de mim tua menina
Entregar-me ao teu encanto.

Não quero os sonhos de um amor pequeno
Quero o teu beijo sereno
Teu abraço para dormir
Encontrar-te em meus desejos
Desenhar os teus segredos
Dar-te o céu para colorir.

Natália Pirola


Nesta vida tudo é sempre mais ou menos, e o mundo só tem um jeito se conseguirmos rir da cara dele.
Como não, se a chantagem dos outros ousa matar o que é mais genuíno dentro da gente? Se até quando mais amamos somos traídos? Se inclusive nos momentos de maior tormento, em que choramos de verdade, o mundo não titubeia em passar seu trator por cima de nós?
Com o tempo a gente aprende e endurece até por dentro, depois de constatar que uma casca dura, somente, não basta, depois de ver como dói amolecer aqui e ali.
Questão de sobrevivência.

(Marcelo Backes, in: Três Traidores e Uns Outros)